Foto: IAT Umuarama
O Instituto Água e Terra (IAT) de Umuarama encontrou pegadas da onça-pintada (Panthera onca) filmada por trabalhadores da usina na tarde da última quarta-feira (27), entre Cruzeiro do Oeste e Tapejara. As equipes seguem em buscas pelo animal – que diferente da onça-parda (Puma concolor) nunca antes foi visto ou filmado na região.
OBemdito conversou nesta terça-feira (2) com Luiz Carlos Cardoso, gerente regional do IAT. Ele explicou que as equipes seguem monitorando a região e também orientando a população a informá-los caso noso avistamentos ocorram.
No primeiro dia em que foram ao local, as equipes encontraram pegadas da onça-pintada próximo ao local onde o vídeo foi feito. Entretanto, a geografia do local dificulta nas buscas. “Ali tem bastante mata, daí dificulta até achar algum vestígios dela”, explicou Cardoso. “Um bicho deste anda muitos km numa noite”, acrescentou.
Na filmagem feita pelos trabalhadores da usina, é possível ver o animal em meio a uma plantação de cana, enquanto trabalhadores da usina o observam a uma certa distância. “Olha o tamanho do trem, bicho. Parece um bezerro”, diz o homem que fez a filmagem. Assista:
Na manhã de quinta-feira (28) Luiz Carlos Cardoso conversou com a pessoa que filmou a onça, e, como resultado, equipes foram ao local para iniciar o monitoramento. “Como é uma região de cana e as máquinas começaram a trabalhar naquela área, isso pode espantar ela por um tempo”, afirmou Cardoso, que completou dizendo que até o momento só há confirmação de um animal.
O técnico Vilson Simplício dos Santos também forneceu mais detalhes sobre o local de avistamento da onça. “Foi a 6 quilômetros do centro urbano Cruzeiro do Oeste, em uma fazenda”, relata ele, acrescentando que apesar da proximidade, não há risco para a população. “Não precisa criar pânico porque ela não irá ao centro atacar ninguém”.
Santos também explicou que onças-pardas (Puma concolor) são mais comuns na região, ocasionalmente responsáveis por ataques a rebanhos. Atualmente, o órgão está monitorando ataques a uma propriedade rural em Perobal, que já registrou ataques que resultaram no abate de aproximadamente 20 carneiros em um período de 3 meses. No último fim de semana, inclusive, os felinos abateram 4 carneiros na propriedade.
Santos explica que os ataques são também o resultado das queimadas que ocorreram no último ano, que afetaram o sistema de caça dos animais – que agora recorrem à alimentos em propriedades rurais. Além disso, nesta época do ano é o período em que elas começam a ter filhotes, o que demanda mais alimento e, por consequência, mais ataques. Há também avistamento de filhotes, que eventualmente são ensinados a caçar pelas mães.
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