Paraná

MPPR denuncia servidor público que desviou 7,5 toneladas de alimentos doados a hospital

O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou um servidor público pelo desvio de 7,5 toneladas de alimentos doados ao hospital municipal de Jaguapitã. A denúncia foi formalizada através da Promotoria de Justiça do município localizado no Norte Central do Paraná.

O MPPR divulgou que o servidor cometeu o crime de peculato, que é a apropriação de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio.

“No caso, o servidor apropriou-se de aproximadamente 7,5 toneladas de alimentos doados para o Hospital Municipal de Jaguapitã pela unidade de Londrina da Central de Abastecimento (Ceasa) do Paraná”, informa o MPPR.

A Promotoria explica que os desvios ocorreram entre 2 de março de 2018 e 10 de fevereiro de 2023. Neste período o servidor ficou responsável por apanhar as doações na Ceasa e entregá-las no hospital. De acordo com o MPPR, o denunciado praticava esses atos pessoalmente ou com ajuda de colaboradores da prefeitura. Segundo a denúncia, no trajeto, o servidor desviava parte dos alimentos.

A conformação do crime ocorreu em 10 de fevereiro de 2023, quando funcionários da Ceasa compareceram ao local de entrega das doações. Eles constataram que nem todos os alimentos doados tinham sido entregues no hospital.

Modo de atuação do servidor denunciado

Conforme o Ministério Público, os fatos denunciados refiram-se ao período a partir de 2018. Entretanto, o servidor já fazia o trabalho de recolhimento e entrega dos alimentos ao hospital, de forma voluntária e informal, desde 2017.

“Foi apurado que, já nesse período, ele pegava os alimentos na Ceasa e, antes de levá-los ao hospital, passava em sua casa para ‘separar e limpar’ os alimentos, sob o pretexto de fazer um controle de qualidade. No entanto, em 2021, foi instituído o programa Banco de Alimentos Comida Boa, que melhorou a estrutura das doações da Ceasa, designando equipes com nutricionistas para pré-selecionar os alimentos antes das doações. A princípio, isso resultou na melhora significativa da qualidade dos produtos doados”, informa a denúncia.

O documento acrescenta que, “mesmo assim, o denunciado manteve o procedimento adotado antes e continuou parando em sua residência sob o pretexto de fazer o suposto controle de qualidade dos alimentos, quando desviava gêneros alimentícios”.

Leia também: MPPR denuncia 18 pessoas investigadas por ‘golpe do falso advogado’.

Por fim, o MPPR pede a condenação pelo crime de peculato (artigo 312 do Código Penal), com previsão de pena de reclusão de dois a doze anos e multa. Além disso, a Promotoria requer a fixação de pagamento por dano material. O valor favorecerá o Município de Jaguapitã (com base no artigo 387, caput, e inciso IV, do Código de Processo Penal). Ao longo da instrução acontecerá a apuração do montante, sem prejuízo do arbitramento de danos morais coletivos pela prática do ilícito penal, a critério do Juízo.

Materiais desviados

Segundo a denúncia, ao longo de cinco anos, o servidor público desviou os seguintes itens:

– 625 quilos de abacate,

– 41 quilos de alho,

– 730 quilos de batata,

– 85 quilos de batata binge,

– 918 quilos de batatinha,

– 2.074 quilos de cebola,

– 1.825 quilos de coco verde,

– 18 quilos de alimentos congelados,

– 19 quilos de doces,

– 66 quilos de maracujá,

– 491 quilos de melancia,

– 335 quilos de melão amarelo,

– 46 quilos de melão caipira,

– 96 quilos de melão “pele de sapo”,

– 324 quilos de milho,

– 299 quilos de morango,

– 7 quilos de moranguinho,

– 193 quilos de pera,

– 1 caixa de pimentão,

– 7 quilos de pitaya e

– 101 quilos de uva.

Todos eram bens de que o servidor tinha a posse em razão de seu cargo, mas que foram desviados em proveito próprio e alheio.

(Informações: Assessoria de Comunicação do MPPR)

Jaqueline Mocellin

Olá, eu sou Jaqueline Mocellin e trabalho no site OBemdito desde dezembro de 2016. Atuo como jornalista e editora. Sou formada em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), pós-graduada em Comunicação, Educação e Artes pela Unipar/Cascavel e atualmente curso Direito na UniAlfa Faculdade. Estou sempre em busca da emoção que o jornalismo pode proporcionar. Sou apaixonada pela minha profissão, levo muito a sério a ética de trabalho e a correta apuração dos fatos.

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