Foto: Reprodução/dondoquinhareborn
Uma recepcionista de Salvador entrou com ação na Justiça do Trabalho após ter o pedido de licença-maternidade de 120 dias negado pela empresa onde trabalha. A justificativa da funcionária é que ela possui vínculo afetivo com um bebê reborn, boneca hiper-realista que simula um recém-nascido.
Na ação, apresentada na terça-feira (27), a mulher afirma ter sido vítima de zombarias e assédio moral após comunicar o pedido. Segundo ela, representantes da empresa disseram que “ela precisava de um psiquiatra, não de benefício”.
A recepcionista pede indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil, além do pagamento de salário-família e verbas rescisórias. Ela também solicita a possibilidade de encerrar o contrato de trabalho de forma indireta, por falta grave do empregador.
“A reclamante constituiu, com legítimo afeto, profundo vínculo materno com sua filha reborn”, afirma a petição judicial. A defesa sustenta que, embora a maternidade não tenha origem biológica, há investimento emocional compatível com o de uma mãe convencional.
O escritório Vanessa Homem, responsável pela defesa, declarou que a situação não deve ser tratada como fantasia. “A empresa poderia apenas negar o pedido, mas escolheu humilhá-la publicamente”, afirmou.
Ainda de acordo com a ação, a recepcionista continuou trabalhando sob forte sofrimento emocional. A defesa argumenta que negar o direito à licença seria negar a subjetividade feminina e reduzir a maternidade à biologia.
A Justiça ainda não decidiu sobre o caso, mas a situação reacendeu discussões sobre o reconhecimento legal de vínculos afetivos com objetos humanizados. Em redes sociais, vídeos de mulheres cuidando de bonecos reborn viralizam com frequência.
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