Paraná

Crise na Lactobom leva ex-funcionários a protestar por direitos trabalhistas atrasados

A indústria Lactobom, tradicional fabricante de leite e derivados com sede em Toledo, entrou oficialmente em processo de recuperação judicial e enfrenta uma grave crise financeira que já atinge duramente ex-colaboradores da empresa.

Na manhã desta terça-feira (6), cerca de 15 ex-funcionários realizaram uma manifestação em frente à sede da companhia, cobrando o pagamento de salários atrasados, acertos rescisórios e o terço de férias.

Segundo os manifestantes, ao menos 40 trabalhadores desligados da empresa aguardam os pagamentos, alguns deles há mais de um mês. A mobilização teve como objetivo chamar a atenção pública para a situação e pressionar a empresa por uma solução.

“Ficamos sem nenhuma resposta, sem dinheiro e com contas vencendo. Estamos aqui para mostrar que não é justo”, disse um dos ex-colaboradores durante o protesto.

A recuperação judicial da Lactobom foi protocolada em 18 de março deste ano. Em entrevista ao portal Toledo News, o gerente industrial da empresa, Fábio Madalozzo, informou que uma equipe de advogados assumirá os trâmites legais a partir desta quinta-feira (8).

Segundo ele, o plano de recuperação incluirá um cronograma de pagamentos que precisa ser aprovado judicialmente antes que qualquer valor seja quitado. “Os trabalhadores estão no topo da lista de prioridades, seguidos por fornecedores e bancos”, afirmou.

Fundada em 1993, a Lactobom chegou a operar com várias unidades no Paraná, mas vem enfrentando dificuldades financeiras nos últimos anos. A crise foi agravada pela pandemia, pelo aumento dos custos de produção e pela queda no preço do leite no mercado nacional.

Somente em 2023, a empresa acumulou prejuízo de R$ 1,59 milhão, número que subiu para R$ 2,77 milhões até outubro de 2024. As despesas financeiras também cresceram mais de 10%, impulsionadas por dívidas bancárias.

A situação levou ao fechamento da unidade da empresa em Ponta Grossa e à redução drástica do quadro de pessoal. Atualmente, restam apenas 69 funcionários na operação de Toledo, e cerca de 40 deles também estão com salários em atraso.

O futuro da Lactobom agora depende da aprovação do plano de recuperação judicial pela Vara Cível e Empresarial da Comarca de Cascavel. Até lá, a incerteza continua para os ex-trabalhadores, que seguem buscando o reconhecimento de seus direitos básicos.

(OBemdito com informações do Toledo News)

Rudson de Souza

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