Curiosidades

Cientistas descobrem fungos que “comem” radiação em Chernobyl

Pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine identificaram fungos capazes de “comer” radiação em Chernobyl. A descoberta ocorreu após um robô explorador ser enviado ao núcleo do reator nuclear altamente radioativo da usina. O dispositivo retornou com amostras de um mofo preto encontrado nas paredes do reator, levantando hipóteses sobre sua capacidade de sobreviver em um ambiente extremo.

Na natureza os fungos são organismos eucarióticos que podem apresentar variadas formas e tamanhos, desde cogumelos a bolores microscópicos. Enquanto algumas espécies causam doenças e intoxicações, outras são essenciais para a produção de alimentos e medicamentos. A descoberta dos fungos radiotróficos reforça a diversidade, bem como, a resiliência desse grupo de organismos.

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Como os fungos sobrevivem à radiação

Os cientistas constataram que os fungos encontrados no reator de Chernobyl utilizam melanina para “comer” radiação. Na verdade eles convertem radiação gama em energia química que é, em síntese, um mecanismo semelhante ao processo de fotossíntese das plantas. A melanina, presente nesses fungos em alta concentração, parece desempenhar um papel crucial na captação tanto quanto na conversão da radiação.

“Esses fungos parecem usar a melanina para um processo similar à fotossíntese, mas utilizando a radiação ionizante em vez da luz solar”, explicam os pesquisadores. Desse modo, essa adaptação lhes permite crescer em condições extremamente hostis, onde a radiação é 500 vezes maior que a média do ambiente terrestre.

Contudo, o acesso a esses fungos é altamente restrito devido à contaminação radioativa do local, o que dificulta estudos mais aprofundados. No entanto, pesquisas conduzidas em laboratório revelaram que espécies como Wangiella dermatitidis e Cryptococcus neoformans aumentaram sua biomassa quando expostas a altos níveis de radiação, mesmo sem fontes externas de nutrientes.

Fungo que “come” radiação encontrado no reator de Chernobyl. (Foto: Divulgação)

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Potencial para aplicações científicas

Além da capacidade de converter radiação em energia, do mesmo modo, os fungos radiotróficos demonstram propriedades de resistência à radiação e absorção de compostos radioativos. Sugerindo assim, possíveis aplicações em biotecnologia e biorremediação de áreas contaminadas.

Estudos indicam que a melanina dos fungos de Chernobyl é quimicamente idêntica à melanina presente no corpo humano. Isso levanta a possibilidade de que essa substância possa fornecer energia para células da pele, o que poderia ter implicações na medicina e até em missões espaciais.

“As propriedades desses fungos podem contribuir para o desenvolvimento de tecnologias voltadas para a proteção contra radiação em astronautas durante viagens espaciais prolongadas”, afirmam os pesquisadores.

Além de “comer” radiação, outra descoberta relevante foi a capacidade dos fungos de estimular a germinação de esporos quando expostos à radiação. Este é um fenômeno chamado de resposta radioprotetiva. Experimentos demonstraram que a melanina irradiada aumentou em quatro vezes sua capacidade de reduzir Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo (NADH), um composto essencial para a produção de energia celular.

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Perspectivas futuras

Os estudos sobre os fungos radiotróficos de Chernobyl ainda estão em estágio inicial, mas os resultados obtidos até agora indicam um vasto potencial para aplicações científicas. Desde a biorremediação de ambientes contaminados até o desenvolvimento de estratégias para exploração espacial, esses organismos desafiam os limites do conhecimento sobre a vida em condições extremas.

A descoberta dos fungos como fonte de energia reforça a importância da pesquisa em microbiologia e biotecnologia. Os próximos passos envolvem a investigação detalhada dos mecanismos bioquímicos que permitem essa adaptação, com o objetivo de explorar suas possíveis aplicações na ciência e na tecnologia.

Stephanie Gertler

Fotógrafa há mais de 16 anos, graduada em Jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba. Atualmente, atua como jornalista no OBemdito.

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