Brasil

Carne estragada nas enchentes do RS é revendida como produto nobre em supermercados

As autoridades policiais dos estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul estão conduzindo investigações detalhadas para entender o esquema que levou à revenda de 800 toneladas de carne estragada, inicialmente comprometida durante as enchentes de 2024, e que foi vendida como produto nobre em supermercados.

Este segredo começou a se desdobrar quando um frigorífico situado em Canoas, após as águas das enchentes terem se dissipado, transacionou 800 toneladas de carne para a empresa Tem Di Tudo Salvados, localizada em Três Rios. O contrato especificava que a carne era destinada à produção de ração animal, mas as investigações policiais descobriram que o produto final encontrou um caminho diferente, terminando como produto alimentício humano.

Pistas que levaram à carne podre

As pistas foram seguidas desde Tem Di Tudo, que redistribuiu a mercadoria para uma companhia localizada em Nova Iguaçu, no Rio. Dessa rede, a carne retornou ao frigorífico em Canoas. A identificação foi possível devido ao reconhecimento de lotes que, engenhosamente, já haviam sido adulterados. Fotos adicionais apresentaram a carne estragada se passando por cortes importados, encontrados em novas embalagens que simulavam produtos de alta qualidade originários do Uruguai.

Pacote de picanha vindo de frigorífico do RS que a polícia encontrou à venda em supermercado do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/TV Globo

Grandes quantidades de carne estragada

O delegado Wellington Vieira, da Polícia Civil, enfatizou a necessidade de cooperação voluntária dos empresários para relatarem qualquer aquisição suspeita deste material da empresa Tem Di Tudo. Durante buscas nas instalações do frigorífico e em pontos da cadeia de distribuição, os policiais descobriram grandes quantidades de carne estragada, podre, e uma seleção diversa de itens com a validade expirada.

Sócios de supermercado foram presos

Durante a operação, autoridades prenderam dois sócios da Tem Di Tudo, junto com operadores logísticos e gerenciais. Sílio José Marino, um dos gerentes da rede investigada, ofereceu informações essenciais sobre a gestão e logística empregadas na movimentação da carne, no entanto, permaneceu evasivo sobre destinos adicionais nesta cadeia ilegal de distribuição.

A Vigilância Sanitária expressou alerta significativo sobre a imprudência ao utilizar carne estragada pelas enchentes, pois criam severos riscos à saúde, invalidando não apenas como alimento direto, mas mesmo para consumo secundário como ração.

Prefeitura de Canoas reforça diretrizes

Os custodiados, como Marino, foram transferidos para o presídio de Benfica, no Rio de Janeiro, enquanto mais esforços investigativos estão em andamento para rastrear e interceptar todos os caminhos tomados por esta cadeia de fornecimento adulterada. Ao longo do processo, a Prefeitura de Canoas reforça diretrizes formais para a eliminação de produtos comprometidos.

Esforços para se comunicar com representantes legais da Tem Di Tudo, bem como tentativas de contato contínuo permaneceram insatisfatórias. A investigação policial continua em busca de elucidar todos os parâmetros desse complexo caso que revelou vulnerabilidades significativas na cadeia de segurança alimentar.

(Com informações do Jornal Nacional)

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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