Brasil

Adeus com cerveja: família coloca litrão no caixão e molha boca de idosa como homenagem

Viralizou nas redes sociais o velório inusitado de Aida Laurentino, de 80 anos, ocorrido no início de novembro. A família da idosa que tem como tradição de enterrar seus entes queridos com festa, transformou a despedida em uma celebração regada a música, cerveja e até futebol. Dona Aida, ciente do costume familiar, reservou em vida uma quantia para garantir que a bebida não faltasse no dia de seu adeus.

Realizado no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o velório mais parecia um encontro em um bar. Mesas e cadeiras foram organizadas para acomodar os presentes, garrafas de cerveja circulavam pelo local e uma televisão transmitia um jogo do Flamengo, time pelo qual Aida tinha grande apreço. Como parte da cerimônia, a boca da idosa foi molhada com cerveja e ela foi sepultada com um “litrão”.

Dayane Laurentino, de 37 anos, sobrinha de Aida e especialista em alongamento de unhas, compartilhou imagens da celebração em suas redes sociais. Os vídeos, que mostram momentos descontraídos da família durante a despedida, já acumulam mais de 900 mil visualizações.

Dayane detalhou a tradição familiar, explicando que, independentemente do local de residência dos parentes, todos são enterrados em Inhaúma. A confraternização começa antes do velório, nas capelas situadas na área externa do cemitério. Depois do sepultamento, a família segue para um bar, onde a celebração se estende. No caso de Dona Aida, a reunião durou até o início da noite.

Nem todos os familiares participaram da festa no botequim. De acordo com Dayane, alguns optaram por não comparecer por não se sentirem à vontade. Apesar disso, a despedida contou com um número significativo de presentes. Dona Aida, que foi mãe de seis filhos, também deixou netos, bisnetos e muitos outros parentes, vários dos quais aparecem nas imagens que viralizaram.

Entre os momentos mais marcantes, estão o gol do Flamengo sobre o Atlético-MG, durante a final da Copa do Brasil, exibido no dia do enterro, e as músicas cantadas pelos familiares, um elemento tradicional nos velórios dos Laurentino. Embora a idosa não tenha deixado pedidos específicos para sua despedida, a família incluiu sambas-enredo na homenagem, um gênero que ela apreciava.

Outro aspecto curioso foi a partilha informal da herança, realizada no mesmo dia. Os filhos dividiram entre si os pertences da mãe, enquanto itens que não interessavam foram doados. A casa de Aida, localizada no bairro do Lins de Vasconcelos, foi destinada à sua irmã Elisabeth.

Aida morreu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, após sofrer uma queda na casa de uma de suas filhas. A prática da família Laurentino, que mistura luto e celebração, conquistou as redes sociais e revelou uma abordagem singular e calorosa para lidar com a perda de entes queridos.

Redação

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