Fotos: Daniel Oliveira
Localizada no entorno da Praça Anchieta, a Lan House Play Games foi durante anos um dos principais pontos de convivência, entretenimento e inovação tecnológica em Umuarama. Aberta em dezembro de 2005 por Gedson Cavinatti Rubio, hoje com 52 anos, o espaço rapidamente se tornou um refúgio para jovens, adultos e até famílias em busca de diversão e conexão com o mundo.
Gedson relembra com nostalgia os primeiros anos da Play Games. “Começamos mais com videogames. Na época, o PlayStation 2 era o auge e os jogos mais populares eram futebol, GTA e clássicos de luta como Mortal Kombat e Street Fighter”, conta. Com cinco televisores e muita movimentação, o local se tornava especialmente vibrante com grupos de amigos que reservavam máquinas para passar horas jogando.
Em 2006, a lan house expandiu suas atividades, incorporando computadores ao espaço. “Começamos com três máquinas, mas logo vimos que não supria a procura. Chegamos a ter oito e sempre estavam ocupados”, recorda Gedson.
Além de jogos como Counter Strike (CS) e RPGs online, os computadores atendiam a uma ampla gama de necessidades, como pesquisas escolares e até videoconferências, em uma época em que os celulares com internet eram raros. “Tinha famílias inteiras que vinham fazer videochamadas com parentes no Japão e nos Estados Unidos. Até montamos um cantinho especial para isso”, destaca.
Entre 2005 e 2017 o movimento foi intenso, com dias em que mais de 100 pessoas frequentavam o local. O custo por hora, entre R$ 1,00 e R$ 1,50, tornava o espaço acessível e democrático. Porém, o cenário começou a mudar com o avanço dos smartphones e consoles modernos. “O movimento caiu com a chegada dos celulares de qualidade, que rodavam jogos e facilitavam o acesso à internet”, explica Gedson.
Hoje, a Play Games opera de forma mais modesta, com três computadores usados principalmente para trabalhos escolares e serviços como cópias e manutenção de aparelhos eletrônicos. Apesar disso, Gedson sente saudades dos áureos tempos. “Impossível não se lembrar desse tempo e não se emocionar. Era muito gostoso proporcionar às pessoas essa conexão com o mundo digital”, relata.
A Play Games foi parte da rotina de jovens como Rafael de Oliveira, hoje com 27 anos, que relembra sua paixão pelos jogos de futebol no PlayStation 2. “Gostávamos dos jogos mais tradicionais como Bomba Patch ou Brasucas. Chegávamos cedo, por volta das 8h e saíamos ao meio-dia porque tínhamos que estudar à tarde”, conta.
Já Paulo Henrique, de 30 anos, frequentava o espaço para jogar Counter Strike com amigos no computador. “Íamos em um grupo de cinco a oito pessoas. Chegávamos às 16h e só saíamos por volta das 21h. Era um tempo muito divertido”, lembra.
Esses relatos refletem o impacto que as lan houses, especialmente a Play Games, tiveram como ponto de encontro e socialização em Umuarama. Em uma época em que o acesso à internet em casa era limitado, essas empresas desempenharam um papel na inclusão digital e na criação de memórias. Hoje, com menos de quatro lan houses na cidade, esses espaços são cada vez mais raros. No entanto, para Gedson e os clientes que passaram pela Play Games, as lembranças permanecem vivas.
(Reportagem: Daniel Oliveira)
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