Umuarama

Destruíram a metade do belo Bosque Uirapuru para construir um estádio gigante…

Já era final da década de 1960 e Umuarama vivia uma época de desenvolvimento disparado em virtude do sucesso da cafeicultura e do comércio que se fortalecia cada vez mais. Economicamente a população não tinha do que reclamar e a cidade crescia rapidamente com as rendas obtidas com as grandes safras de café e grãos.

Acompanhando esse progresso, a população clamava por mais opções de lazer e diversão. E foi assim que surgiu a ideia de se criar um time de futebol de campo e, claro, construir um estádio. E os ‘pais dessa ideia’ exigiam que fosse bem no centrão da cidade…

Acontece que naquele momento todos os quarteirões existentes já haviam sido ocupados ou aguardavam construções de casas comerciais e residenciais.

Mas os fãs da bola não aceitavam essa justificativa e bateram o pé que o estádio tinha que ocupar um espaço central, o mais próximo possível da Avenida Paraná…

Eis que surgiu uma ‘brilhante ideia’ que foi usada com força total contra a colonizadora Cia Melhoramentos: derrubar a metade da mata verde de Bosque Uirapurú ( que tinha uma área completa de um quarteirão) e usar o amplo terreno para implantar o estádio que já tinha nome escolhido: “GIGANTE DA BAIXADA”. Pelo nome vocês já imaginam o tamanho do estrago ao derrubar sem dó nem piedade milhares de árvores frondosas que eram morada de uma infinidade de espécies de aves e os diversos tipos de animais selvagens que viviam na terra…

Foto: Danilo Martins/OBemdito

Diante da pressão, para se ver livre da insistência da galera esportiva, em 1970 a colonizadora resolveu partir quase ao meio aquela reserva florestal. Vale registrar em alto relevo que não apareceu ninguém – repito: NINGUÉM!!! – para defender aquela mata maravilhosa.

O pior de tudo é que a colonizadora, quando projetou a Capital da Amizade, resolveu manter vivas apenas duas reservas florestais na área urbana: o Bosque Uirapurú e o Bosque do Índio. Como podemos observar hoje (basta um passeio de avião pelo alto da cidade para constatar que nada restou da floresta primitiva que existiu antes da construção de Umuarama). Há alguns terrenos que ainda têm árvores, mas eles são pequenos e particulares. A triste realidade é que o ecocídio que aconteceu aqui é maior que o que assusta a Amazônia – aqui não havia ninguém para protestar contra o desmatamento desvairado…

Depois que fizeram a brutal ‘cirurgia’, o Bosque Uirapurú ficou resumido a uma área de 58.124,7 m². Atualmente possui trilha pavimentada para caminhadas, parques e quiosques para churrascos e festas, além de ATI – Academia da Terceira Idade – e atividades para a comunidade. Tudo sob a abençoada sombra das árvores que se salvaram do ataque das moto serras em nome do futebol!

Foto: Danilo Martins/OBemdito

ROJÕES E CALOROSAS FESTAS COMEMORANDO VITÓRIAS DO TIGRÃO  DECRETARAM O SUMIÇO DAS AVES…

Hoje, ao passear tranquilamente pelo Bosque Uirapurú felizmente encontramos algumas aves típicas brasileiras. Mas muitas espécies das que existiram no passado sumiram para nunca mais voltar!!!

O Estádio Gigante da Baixada durante décadas foi palco de memoráveis partidas de futebol tendo o time umuaramense, o famoso “Tigrão”, como vitorioso! Derrotou por várias vezes até timões de fama nacional!

E nessas ocasiões a torcida fez ruidosas comemorações… Eram verdadeiros tiroteios de rojões e fogos de artifício coloridos. Também aconteceram grandes shows musicais com multidões lotando o estádio para curtir o som em altíssimo volume!

A cada acontecimento desses os animais que habitavam o Bosque Uirapurú debandavam à procura de uma nova morada onde pudessem viver em paz. Era comum nesses domingos de outrora, nos horários desses eventos adoidados, ver bichos correndo atormentados pelas ruas da cidade rumo à zona rural à procura de esconderijos.

Foto: Danilo Martins/OBemdito

O FAMOSO ‘TIGRÃO’ TAMBÉM SUMIU E O ESTÁDIO VIVE VAZIO, POIS HOJE QUEM MANDA É O FUTSAL…

Depois de uma longa história, resolveram aposentar o “Tigrão”, o time do coração dos umuaramenses! Acabou em nada, seu fim foi decretado pelo futebol de salão, que também brilha nacionalmente. E não se vê mais ninguém falando em futebol de campo. Aquela praça esportiva agora é usada pelo esporte amador e raros eventos artísticos.

Foto: José Anselmo Sabino/PMU

UMUARAMA NÃO SEGUIU O BELO EXEMPLO DE MARINGÁ, HOJE UMA BELA ‘CIDADE VERDE’

Hoje, em tempos ecológicos em que todo mundo aprendeu a dar valor à Mãe Natureza, se compararmos com Maringá, cidade da mesma colonizadora, veremos que Umuarama é um completo deserto: a Cidade Canção é uma verdadeira cidade-jardim, com imensos e diversos “pulmões verdes”, bem ao estilo das atuais “cidades ecológicas”. (ITALO FÁBIO CASCIOLA)

Foto: Danilo Martins/OBemdito
Ítalo Fábio Casciola

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