Umuarama

Baixa oferta das granjas faz preço do ovo ‘estalar’ nos supermercados; alta chega a 23%

Frito, mexido, cozido, misturado em alguma receita mais elaborada ou mesmo cru, o ovo é um dos alimentos da cesta básica mais consumidos no Brasil. Mas nem tudo é alegria na hora de consumir o produto.

Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), somente nos últimos 12 meses o preço do alimento subiu 22,9% em todo o País. Regionalmente há distorções, mas desde o revendedor até o consumidor, não há quem não tenha sentido o impacto da alta, no bolso.

Uma pesquisa realizada pelo OBemdito nos mercados da cidade revelou que os preços das bandejas com 30 unidades apresentam pequena variação. No Amigão Supermercados, por exemplo, a bandeja custa R$21,99, nos Supermercados Planalto R$22,98 e no Viviãn R$24,75.

Paulo Eduardo Neufel Tropa, de 48 anos, responsável pelas compras da casa, disse ter sentido a diferença no bolso. “Antes pagava R$ 13 antes na bandeja com 30 ovos. Agora, olha como está, quase o dobro. Prefiro comprar ovo caipira pela qualidade e estou pagando 22 reais”. Ele, esposa e os 2 filhos consomem uma bandeja por semana.

Ana Carolina Guandalin, de 34 anos, dona do Merilu Ovos Caipira, notou um aumento considerável na procura por seu produto nos últimos meses.

“Quando as pessoas fazem comparação elas escolhem os ovos caipiras porque o preço está muito parecido e o produto é melhor que o de granja”, afirmou. A bandeja com 30 unidades é vendida a R$ 25 e mesmo com a maior demanda, Ana Carolina preferiu manter o preço para garantir um giro mais rápido nas vendas.

O advogado e praticante de musculação Filipe Sperandio Cruz, de 32 anos, consome 5 bandejas com 30 ovos por semana e notou as variações de preços ao longo dos meses. “Semana passada, nas minhas compras semanais, fiz um estoque de 6 caixas, o mercado estava estocado com remessa antiga e não havia passado o saldo para os clientes”.

Aumento dos preços

O cenário de ovos mais caros, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), se deve ao aumento da demanda e à baixa oferta, causada pela gripe aviária nos Estados Unidos e Inglaterra, além dos custos elevados de produção. Cerca de 70% do custo de produção de ovos é composto por milho e farelo de soja, o que contribui para que os valores permaneçam elevados.

Os altos custos do milho e do farelo de soja utilizados na alimentação das galinhas estão fazendo com que muitos produtores repensem a produção e até abandonem o negócio. No ano passado, o resultado desse comportamento foi uma queda considerável nas granjas de poedeiras.

Stephanie Gertler

Fotógrafa há mais de 16 anos, graduada em Jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba. Atualmente, atua como jornalista no OBemdito.

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