Umuarama

Com redução de área, Deral projeta safra de soja mais modesta em Umuarama

Apesar da expectativa de incremento na produção da safra de soja 2022/2023 nos 24 municípios da área de abrangência do Núcleo da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento), de Umuarama, no município, pelo menos por enquanto, os números previstos são mais modestos se comparados o que deve ser colhido em outras cidades da região.

Estimativas iniciais do Deral (Departamento de Economia Rural) apontam que houve uma sensível redução nas áreas plantadas com a cultura em Umuarama. Segundo o economista e diretor de economia rural do núcleo regional, Ático Luiz Ferreira, houve uma diminuição de cerca de 60% na área cultivada com a cultura se comparado com a safra anterior.

Na safra 2021/2022 foram cultivados 6.250 hectares. Apesar das estimativas ainda não terem sido concluídas, os números apontam que na safra 2022/2023 a área cultivada diminuiu para 605 hectares. “A maior parte das áreas não foi plantada”, afirma o economista.

Se em Umuarama a área plantada diminuiu, na região de abrangência do núcleo regional houve um aumento de cultivo com relação à safra anterior. A área total plantada na safra 2022/2023 foi de 203.850 hectares. A produção estimada é de 701.501 toneladas.

“A maioria das áreas plantadas na região foi cultivada por pessoas de fora que vieram plantar aqui devido a lucratividade da soja. Mesmo com a seca, houve um avanço na área de plantio”, explica.

As estimativas de perdas, no entanto, são de 9,12%, principalmente por conta da condição climática. “Francisco Alves deve ser a cidade que mais deverá perder, 40% do total da produção”, destaca ao detalhar que além de Francisco Alves, Alto Piquiri, Brasilândia do Sul e Mariluz são os munícipios que mais produzem na região.

Na safra 2021/2022 a área total plantada na região foi de 202.749 hectares com uma produção de 172.171 toneladas total.

Avanço na área plantada

Muito embora a área cultivada em Umuarama tenha diminuído, dados do Deral mostram uma evolução da soja na região nos último dez anos. Um recorte realizado pelo Núcleo de Umuarama demonstra que entre os anos de 2013 e 2018 houve um incremento importante da área plantada.

Segundo os dados, a área total com soja na região saltou de 107.488 hectares, em 2013, para 169.150 hectares, em 2018. Agora, na safra 2022/2023, o total da área plantada chegou 203.850hectares.

Já em Umuarama, os dados apresentam uma oscilação. Enquanto em 2018 o total de área plantada chegou a 2950 hectares, depois de sair de uma área de produção de 900 hectares, em 2013, a previsão é de uma queda de 60% com relação à safra 2021/2022, quando foram cultivados com a cultura apenas 6.250 hectares.

Apesar dos números, o chefe da regional do Núcleo da Seab, José Antonio de Andrade Duarte, mantém o otimismo com relação a produção. “Esse produtor que deixou de plantar arrendou as terras e está ficando sem renda, ele poderá voltar a produzir no futuro”, projeta.

De acordo com ele, além disso, a possibilidade de novas práticas na lavora podem ajudar a alavancar a produção, aumentando também as áreas cultivadas com a soja.

“As práticas que são necessárias de manejo aqui são diferentes das usadas na região Oeste e Sudoeste, por exemplo, mas no final, a produção é tão boa ou igual a deles”, destaca ao afirmar que existem variedades plantadas aqui na região do Arenito Caiuá que produzem igualmente as demais regiões.

O otimismo de Duarte pode ser entendido ao observar algumas experiências positivas de produtores da região. Um deles, Gérson Bortoli, que reside em Umuarama, mas cultiva soja em uma área bastante significativa em Perobal, afirma que manteve o total de área plantada na sua propriedade e, que isso, pode ser um bom exemplo para produtores da capital do Noroeste.

“A área é a mesma da safra passada, tem chovido bem, então, a expectativa é que seja uma das melhores safras dos últimos anos”, projeta.

O produtor, que faz a integração lavoura-pecuária – uma estratégia de produção – que integra culturas anuais e pecuária, no mesmo espaço, em consórcio, sucessão ou rotação entre a pecuária e lavoura, já foi destaque na região ao ganhar prêmios de produtividade.

“As novas tecnologias, os maquinários e a correção de solo fazem com que a produtividade seja maior”, pontua.

Ele destaca ainda que começou a plantar soja em 2003, porque a lavoura estava muito degradada e precisava refazer o solo. “Comecei de vagar e fui aumento a produtividade. Hoje toda a propriedade é de soja”, completa.

Com a colheita já prevista para iniciar agora em fevereiro, o produtor já tem mercado garantido para o grão. Ele venda para a Cocamar, uma das maiores cooperativas agroindustriais do Brasil e, por isso, a produção já tem destino certo.

“Cooperativa tem essa vantagem. Você entrega e a cooperativa vende no momento em que achar melhor, ou faz contrato de compra e venda, assim sou obrigado a entregar a produção e a cooperativa vai me pagar o valor acordado”, detalhou ao salientar que pela cotação de hoje (1º de fevereiro) a saca de 60 quilos da oleaginosa vale R$ 158.

Rodrigo Mello

Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Pato Branco (Unidep), tem especialização em Docência e Gestão do Ensino Superior pela Universidade Paranaense (Unipar). Com 23 anos de experiência, trabalhou em portais de notícia, assessoria de imprensa, TV e rádio. Foi assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e secretário municipal de Comunicação entre os anos de 2010 e 2013. Atualmente, é jornalista no portal OBemdito, onde escreve sobre política, educação, saúde, cidadania e segurança pública.

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