Umuarama

‘Marido de aluguel’ mais requisitado de Umuarama é médico veterinário

Quando um médico veterinário deixa a profissão para seguir carreira de ‘marido de aluguel’ pode-se dizer que o mercado de trabalho estaria maluco? Se sim ou não, difícil saber; o que se sabe é que, nos últimos anos, no Brasil o ofício pegou força na onda do desemprego. São milhares no país. Umuarama tem o seu.

Rodrigo Bordignon está no ramo há seis anos e se diz satisfeito com a nova profissão. Quando um médico veterinário deixa a profissão para seguir carreira de ‘marido de aluguel’ pode-se dizer que o mercado de trabalho estaria maluco? Se sim ou não, difícil saber; o que se sabe é que, nos últimos anos, no Brasil o ofício pegou força na onda do desemprego. São milhares no país. Umuarama tem o seu.

Rodrigo Henrique Bordignon, 42 anos, está há seis anos no ramo, legalizado, tocando sua empresa que se chama, sim… ‘Marido de Aluguel’. Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Paraná, mora em Umuarama desde 2016. Veio de Curitiba com experiência no currículo: na Capital atuou em laboratório de análises clínicas veterinárias e, em Ponta Grossa, em frigorífico.

O amor o trouxe pra cá. Segundo ele, sua paixão por Iris Ziober, a chefe de cozinha que comanda a doceria Petit Chéri, falou mais alto e, por isso, foi fácil deixar emprego formal e se arriscar por aqui. Ao chegar, não encontrou chance de trabalho com salário que compensasse atuar na medicina veterinária. “Não tive essa sorte”, comenta em tom sereno. “Questão superada!”, garante.

Como já tinha uma boa experiência em “consertos em geral em residências”, acabou se dando bem como “o cara que faz tudo”. “Meus amigos sempre me chamavam para consertar, instalar, resolver problemas domésticos; eu sempre ia e não cobrava. Quando percebi que isso poderia me render dinheiro, comecei a cobrar”, conta, rindo.

Dado o primeiro passo, foi para os próximos: se capacitar. Fez cursos no Senai [o básico e o técnico em elétrica] e outros que garantiram aquisição de conhecimentos também na área de hidráulica [atualmente faz faculdade de engenharia elétrica].

De pequenos serviços aos mais complexos, Rodrigo está sempre a postos

Até para trocar lâmpada

Mas vai além: é chamado também para trocar fechadura, limpar caixa d’água, instalar eletrodomésticos e… “Tem gente que me chama até para trocar lâmpada”, diz, incrédulo, interrompendo a citação da lista dos serviços que presta.

“Bom para mim”, acrescenta, mostrando-se satisfeito com o sucesso que seu negócio alcançou. “Demorou dois anos para ‘girar’, mas aconteceu”. E como foi formando clientela? “Indicações”, ele responde, dizendo que atende muitas empresas, também.

“Faço um bom salário, atuando com calma, em horário comercial, e sem rotina, dois motivos, aliás, que muito me agradam!”, enfatiza Rodrigo, o ‘marido de aluguel’ mais requisitado de Umuarama.

Rodrigo e a mulher Iris: bom humor frente às piadinhas que vinculam a profissão

E a Iris, o que acha?

Num mundo cheio de gente que gosta de ficar lembrando piadinhas clichês maliciosas, ser ‘marido de aluguel’ em alguns momentos pode ser embaraçoso. “A saída é manter o bom humor”, ensina Rodrigo. Ele diz que direto ouve frases do tipo: “Você faz tudo mesmo?” – “Queria ter um marido desse!” – “Não deixa ficar muito tempo na sua casa, viu?!” [risos].

Essa “preocupação” fica maior, considerando que Rodrigo é um profissional gentil, simpático e bonito, o que poderia preocupar, também, a Iris. Mas não. “Confio nele e até tenho também uma piadinha, que é essa: ‘quando não uso, eu alugo’, digo brincando para minhas amigas” [risos].

Também apoia o trabalho do marido: “O forte dele é ajudar as pessoas e é inquieto por natureza: não tem preguiça, é habilidoso e diante de algo complicado, não desiste enquanto não resolve, por isso está se dando tão bem nessa profissão”.

Quando surgiu esse cara que ‘faz tudo’

“Se o marido diz [garante, jura] para a mulher que vai consertar a dobradiça da porta do armário [ou coisa parecida] não precisa lembrá-lo a cada seis meses, tá?!” Isso é uma piada, certo? Uma piada que soa verdade; arriscaria dizer até que… promove o marido de aluguel.

Hoje em dia este profissional não resolve só a vida do ‘marido próprio’, aquele que terceiriza o serviço por não ter tempo, habilidade ou mesmo vontade de fazê-lo, mas de muitos solteiros e solteiras, que moram só. Idosos também entram na lista dos clientes.

Ficou prático contratar esse prestador de serviço proativo, que dá jeito pra tudo. Segundo pesquisas, ele surgiu no início da década passada, com o aquecimento da construção civil no Brasil. E de lá pra cá só cresceu o índice de adeptos a esse modelo de negócio e – importante destacar – de adeptas, também. Não é tão comum, mas as ‘esposas de aluguel’ já dão o ar da graça por aí afora.

# Para contratar ‘Marido de Aluguel’ envie mensagem para 44 9 9999 8799.

Graça Milanez

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